D. Duarte Pio visita hoje e amanhã o distrito
Castelo Branco
2018-01-27 10:00:10
Patrícia Calado

D. Duarte Pio de Bragança já está no distrito de Castelo Branco. O Rei sem coroa começou pelo coração da Beira Baixa, a cidade de Castelo Branco, tendo sido recebido por Luís Correia, presidente da autarquia albicastrense.

Castelo Branco, Oleiros e Fundão são os concelhos que D. Duarte Pio vai visitar, de forma a conhecer igualmente o território que as chamas devastaram o ano passado.

“O objetivo foi rever a região, já não vinha há algum tempo. E por outro lado, considerando a tragédia que vitimou esta região com os terríveis incêndios, de algum modo achei que era boa altura para vir. O país não pode ficar indiferente à desertificação, à destruição da economia das regiões do interior. São as principais causas depois dos desastres ambientais. Estes desastres acontecem todos os anos, este ano acrescentaram as pessoas que morreram”, contou D. Duarte, deixando ainda críticas acerca das leis impostas aos incendiários.

Na opinião do líder da instituição real, Portugal devia olhar para os países que consideram o crime de fogo como um homicídio, pois “uma pessoa que deita fogo é homicida”.

“Todos os países bem organizados e com leis minimamente bem-feitas, o crime de fogo posto é considerado homicídio, uma pessoa que deita fogo é homicida. Quem é responsável por incêndios tem de ser considerado um homicida, pode não conseguir matar, mas pelo menos tentou. Como uma pessoa que se põe aos tiros a outra… Pode não acertar, mas tentou matar. Uma pessoa que deita fogo à floresta é a mesma coisa”, considerou.

Para D. Duarte há uma “total incompetência” nas leis portuguesas, pois quando os incendiários são apanhados, muitos consideram que são “tontos da cabeça” e por isso, “não podem ser punidos”.

Além do tema dos incêndios, o líder da coroa real critica igualmente o Governo no que toca ao desequilíbrio demográfico existente no território português, argumentando que este problema foi “negado pelo Estado” durante muitos anos.

“Começou por ser indiferença, depois o desenvolvimento industrial… Achou-se que era mais eficiente se fosse concentrado em certas áreas. É preciso que o desenvolvimento económico seja favorecido nas zonas menos povoadas. É preciso que haja estímulos para quem quer investir nestas zonas, estímulos financeiros e fiscais”, sustentou.

O Duque de Bragança revelou ainda à comunicação social que, de acordo com as sondagens, 30 ou 40% dos portugueses acham que “a democracia portuguesa estaria melhor defendida pela Instituição Real, por um Rei, do que a situação republicana”.

“Há uma quantidade de pessoas que acham que são republicanos porque nasceram na República, porque os pais eram republicanos, muitas vezes sem terem uma razão política”, concluiu.

Durante a parte da tarde, D. Duarte Pio vai até ao concelho de Oleiros, passando pelo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Oleiros. À noite, o Duque de Bragança regressa ao concelho albicastrense para jantar na Herdade do Regado, em Póvoa de Rio Moinhos, uma localidade onde vai permanecer durante amanhã de manhã.

A parte da tarde vai ser dedicada ao concelho do Fundão.



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